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Cochonilha

A Nova praga de pastagem foi registrada em MS pela Embrapa,

 

a cochonilha identificada suga as plantas, levando ao amarelecimento e secamento das partes atingidas, o Impacto econômico ainda não foi estimado.

 

Os pesquisadores da unidade Gado de Corte da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e parceiros registraram oficialmente, na última terça-feira (13 de julho de 2021), a infestação de Duplachionaspis divergens (Hemiptera: Diaspididae) em pastos brasileiros.

Trata-se de uma cochonilha detectada em pastagens do Mato Grosso do Sul com touceiras amareladas e secas, além de danos visivelmente significativos. O impacto econômico ainda não foi estimado. O registro foi divulgado em periódico científico da área, e a identificação ocorreu de acordo com as características morfológicas da fêmea adulta. Nos países onde ocorre, a praga chega a atingir 18 gêneros de gramíneas.

“Precisamos alertar o produtor rural quanto a essa praga, chamar sua atenção. Ainda não temos muitos estudos e nem recomendação de controle. Na Embrapa, as pesquisas são iniciais. Anteriormente, a espécie havia sido relatada no Brasil somente na cultura da cana-de-açúcar, em casa de vegetação. Agora, o cenário mudou”, explica a entomologista da Embrapa, Fabricia Zimermann Torres.

“Além da ocorrência em nossos campos experimentais, temos recebido algumas demandas de produtores preocupados, relatando sintomas e danos semelhantes em suas pastagens, o que pode ser devido a ataques dessa cochonilha”, completa Torres.

O primeiro registro ocorreu nos campos experimentais da Embrapa Gado de corte em 2018, com reinfestações nos anos seguintes.

“A infestação foi detectada na época seca, em meados de agosto, quando foi realizada coleta de folhas do capim escolhendo-se aleatoriamente dez pontos na área infestada de 0.45 ha [4.500 metros quadrados]”, ressalta Torres.

Segundo ela, nesses pontos de coleta foram recolhidas amostras de folhas de capim (cerca de 100 folhas) e separadas em “com” e “sem” infestação, chegando-se a um valor médio de 60% de folhas infestadas nessa área.

A infestação continuou avançando em outras áreas experimentais, e também em época chuvosa, desde então, acompanhada em outros estudos da Embrapa.

Os insetos atacam sugando as plantas, levando ao amarelecimento e secamento das partes atingidas. Segundo Fabricia Torres, ao sair do ovo, a ninfa (fase jovem do inseto) locomove-se e fixa-se na parte abaxial das folhas. Porém, em altas infestações conseguem chegar também aos caules e partes de cima das folhas. As fêmeas se mantêm nas plantas mesmo após adultas. Os machos possuem asas e voam em busca de acasalamento.

A nova praga não deve ser confundida com a cochonilha-dos-capins (Antonina graminis), que causa a “geada dos pastos”. A cochonilha-dos-capins foi detectada no Brasil em 1944, na Bahia; em 1964, no Pará; e em 1966, no estado de São Paulo.

“Além de as cochonilhas serem diferentes morfologicamente, a cochonilha-dos-capins ataca a haste da planta, a partir do coleto e, quando na parte aérea, fica junto aos nós, sob a bainha das folhas. Em decorrência da sucção de seiva nesses locais, a planta perde sua capacidade de rebrota, podendo até morrer, o que é conhecido como ‘geada dos pastos’”, explica a entomologista da Embrapa Fabricia Zimermann Torres.

A pesquisadora ainda complementa dizendo que desde 1967 a cochonilha-dos-capins teve seu controle estabelecido no Brasil, devido à introdução do parasitoide Neodusmetia sangwani.

 

Além da entomologista, José Raul Valério, da Embrapa Gado de Corte; Renata Santos, da Universidade Católica Dom Bosco; Vera Regina Wolff, da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul; e Bruno Amaral, pesquisador do Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional no Estado de MS, também são responsáveis pela pesquisa.

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